A discussão sobre se vale trocar o diário de bordo em papel pelo digital já acabou — a regulamentação existe, as plataformas existem e quem migrou não volta. A dúvida real de quem opera hoje é outra: qual plataforma escolher.
E aqui a maioria começa pela pergunta errada. "Qual é a melhor?" não tem resposta útil, porque a resposta depende de uma pergunta anterior: o que a sua operação precisa além do diário?
As duas famílias de solução
Todo software desse mercado substitui o papel. A diferença começa depois disso, e ela separa as soluções em duas famílias:
Gestão da aeronave. O foco é o registro: diário de bordo digital e controle técnico de manutenção — horas, ciclos, vencimentos, componentes. Resolve a dor documental. Para o proprietário de uma aeronave de uso simples, pode ser tudo de que ele precisa.
Gestão da operação. O diário é o ponto de partida, não o produto. Em volta dele: gerenciamento de segurança operacional (SGSO), avaliação de risco pré-voo, briefing, escala de tripulação, despesas, treinamento. É a família para quem o voo é atividade profissional — operador executivo, táxi aéreo, escola, frota administrada — e precisa que o registro alimente decisão, não só arquivo.
Nenhuma das duas é "a certa" em abstrato. A escolha errada é comprar uma família achando que levou a outra: o proprietário que paga por módulos que nunca vai abrir, ou — o caso mais caro — o operador que descobre na primeira auditoria que o "sistema de gestão" era um diário com relatórios.
O checklist de avaliação
A tabela abaixo é o roteiro que recomendamos para avaliar qualquer plataforma — a nossa inclusive. Não é sobre contar funcionalidades: é sobre saber quais linhas importam para a sua operação antes de assistir à primeira demonstração.
| Critério | O que verificar | Importa mais para |
|---|---|---|
| Validade regulatória do diário | Conformidade com as Resoluções ANAC 457/458 e com o modelo da Portaria 3.220/SPO/SAR; como se dá a autorização para a sua operação | Todos |
| CTM integrado | O voo lançado atualiza horas, ciclos e vencimentos sem redigitação | Todos |
| SGSO | Registro de perigos, gestão de risco e indicadores — módulo próprio, não uma pasta de PDFs | RBAC 135, frotas |
| Avaliação de risco (FRAT) e briefing | O sistema ajuda a montar a avaliação (fontes oficiais, meteorologia, NOTAM) ou só arquiva o formulário? | Operação profissional |
| Escala e programação | Tripulação, disponibilidade da aeronave e notificação de mudanças | Frotas, táxi aéreo |
| Despesas da operação | O custo do voo nasce vinculado ao voo | Gestores, administradoras |
| Treinamento e instrução | Missões, avaliações, fichas de instrução com assinatura | Escolas e CIACs |
| Aplicativo com uso offline | Registrar a bordo e no hangar sem internet, sincronizando depois — a cabine é o pior lugar do mundo para depender de sinal | Todos |
| Seus dados são seus | Exportação completa do histórico em formato aberto; o que acontece se você sair | Todos |
| Quem constrói o produto | O time entende de operação aérea ou só de software? Pergunte quem usa o próprio sistema | Todos |
Duas linhas dessa tabela merecem atenção especial, porque só aparecem tarde:
O uso offline. Toda demonstração acontece no escritório, com Wi-Fi. O diário é preenchido na aeronave e no hangar — exatamente onde a conexão falha. Pergunte, com essas palavras: o que acontece se eu lançar o voo sem sinal nenhum?
A saída. Ninguém escolhe plataforma pensando em trocar de plataforma. Mas o seu histórico de voos e manutenção vale mais que qualquer software, e ele precisa sair inteiro se um dia você quiser. Plataforma que dificulta exportação está respondendo à pergunta antes de você fazer.
As perguntas para fazer na demonstração
- O diário atende as Resoluções 457/458 e o modelo da Portaria 3.220? Como funciona a autorização para a minha operação?
- O que acontece quando lanço um voo sem internet?
- O voo lançado atualiza o vencimento do componente sozinho, ou alguém redigita?
- Me mostre a avaliação de risco de um voo real — quanto o sistema montou e quanto o piloto precisou caçar?
- Se eu sair daqui a três anos, como levo meu histórico?
Se a demonstração responde as cinco sem malabarismo, você está diante de uma candidata séria — de qualquer fornecedor.
Onde a Alis se posiciona
Sem suspense: a Alis está na família da gestão da operação, e este guia reflete os critérios com que construímos a plataforma — diário de bordo eletrônico homologado pela ANAC, CTM que o voo alimenta sozinho, SGSO e FRAT com IA no Flight Kit, escala com notificação por WhatsApp, despesas, módulo de escolas e aplicativo com funcionamento offline.
A honestidade que devemos a quem lê: se a sua necessidade é registrar voos de uma aeronave particular de uso simples e nada mais, você não precisa de tudo isso — o nosso plano Essencial existe exatamente para começar só pelo diário, e crescer se (e quando) a operação pedir.
O resto da conversa é melhor com os seus dados na tela: a demonstração leva 30 minutos e usa a sua operação como exemplo, não slides.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta à regulamentação vigente da ANAC. A conformidade da adoção de diário de bordo eletrônico deve ser verificada para o caso concreto da sua operação.