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Custo por hora de verdade: por que o número que você tem provavelmente está errado

Todo operador tem um custo por hora na cabeça. Quase nenhum consegue dizer o que entrou nele. E é essa a diferença entre um número que orienta decisão — vender, trocar de modelo, aceitar um fretamento, planejar a parada — e um número que só serve para discutir com o sócio.

O problema não é matemática. Dividir despesa por hora voada qualquer planilha faz. O problema é o que entra no numerador e no denominador, e a maioria dos custos por hora que circulam por aí nasce de seis erros silenciosos. Ao construir a visão de custo por modelo dentro da Alis, foi esse conjunto de regras que separou o número confiável do chute com duas casas decimais.

1. Só o realizado conta

A primeira fonte de custo inflado é o orçamento. Cotação solicitada, orçamento aprovado, serviço autorizado — nada disso é custo. É pipeline. Custo é o que foi executado e pago: o item concluído da ordem de serviço, a peça efetivamente comprada e instalada, o serviço de terceiro faturado.

E há uma armadilha dentro da própria OS: a capa e as partes raramente concordam. O valor total no cabeçalho da ordem é digitado por alguém; a soma dos itens, das peças e dos terceiros é o que aconteceu. Quando divergem — e divergem mais do que se imagina — vale a soma das partes. Capa sem parte nenhuma é suspeita, não fonte.

2. Dólar não se converte no chute

Peça de aviação chega em dólar. Somar R$ com US$ dá um número que não existe; converter pelo câmbio de hoje inventa um custo que a operação não pagou. A regra honesta é simples e um pouco incômoda: o que foi comprado em dólar fica em dólar, numa coluna própria, com a cotação do dia da compra quando ela foi registrada — e sem cotação, o valor sai em USD mesmo, rotulado.

Um custo por hora que mistura as moedas parece mais completo. É menos verdadeiro.

3. Consumo só com unidade

Aqui entra a física. Um Cirrus SR22 abastece em galões; um helicóptero a turbina, em litros ou quilos. Agora imagine dois lançamentos de combustível sem unidade: "20 por hora" e "139 por hora". Se você converter os dois como litros, o SR22 vira um avião que voa com o tanque de uma moto. Se converter como galões, o helicóptero passa a consumir o combustível de um jato.

O número sem unidade contradiz a física — e adivinhar a unidade pelo modelo é inventar dado. A regra: litros por hora só entram na conta quando o lançamento diz em que unidade foi feito. O resto fica de fora, e o painel diz que ficou de fora.

4. Distância só quando é plausível

Custo por quilômetro depende de distância, e distância digitada engana: odômetro lançado no campo de milhas, perna local sem origem e destino distintos, valor com um zero a mais. O filtro que funciona é o envelope de velocidade: distância dividida pelo tempo de voo precisa cair numa faixa que a aeronave consegue voar. Fora dela, a distância não entra — e o custo por quilômetro sai só das pernas que passaram no teste.

5. Taxa mensal só com janela

"Custo por mês" de uma aeronave que tem três semanas de dados não é taxa, é ruído. Hangar, seguro e mensalidades só viram custo mensal com uma janela mínima de observação — e uma parada de hangar longa não pode ser rateada como se fosse despesa corrente. Sem janela, o painel mostra o total e cala sobre o "por mês". Calar é mais honesto que arredondar.

6. Modelo pelo RAB

Parece detalhe, e derruba qualquer comparação: "Cessna 550", "CESSNA AIRCRAFT 550" e "Cessna 550 Bravo" digitados por três clientes viram três modelos numa planilha — e o terceiro nem é o mesmo avião. A fonte do modelo tem que ser o Registro Aeronáutico Brasileiro, não o cadastro livre. É assim que uma base com centenas de aeronaves consegue responder "quanto custa a hora de um 550" sem somar coisas diferentes.

O exemplo, com números de demonstração

Para deixar concreto — com valores ilustrativos, de uma aeronave fictícia — veja como as regras mudam o resultado de um SR22 num mês:

Lançamento Entra no custo? Por quê
Combustível · 42 gal, unidade informada Sim Unidade presente: converte para litros
Combustível · "18 por hora", sem unidade Não Sem unidade não há como converter
Orçamento de inspeção aprovado · R$ 12.400 Não Pipeline, não custo
Itens executados da OS · R$ 9.700 Sim Realizado
Peça importada · US$ 1.180, sem cotação À parte Fica em USD, rotulada
Hangar · 3 semanas de dados Total, sem "por mês" Janela insuficiente

Valores de demonstração, aeronave fictícia. O SR22 aparece como exemplo de modelo que abastece em galões, não como referência de custo.

O custo por hora que sai daí é menor do que a planilha diria — e é o único que sustenta uma decisão. Quem já mediu o custo da aeronave parada sabe: número inflado esconde exatamente a parte da operação que mais precisa ser vista.

Onde a Alis entra

Na Alis, a despesa nasce ligada ao voo: combustível, hangar, tarifas e diárias entram na etapa em que aconteceram, e o custo por hora real de cada aeronave sai da operação — não de uma planilha de fim de mês. As seis regras acima são as que o cálculo aplica, e o painel diz o que ficou de fora e por quê, em vez de completar a lacuna com uma estimativa.

A visão comparativa por modelo, agregada e anonimizada entre operadores, é o que estamos construindo em cima dessa base — com as mesmas regras, porque comparação entre modelos só vale se cada número foi apurado do mesmo jeito.

Quer saber o custo por hora real da sua aeronave? Fale com a Alis — se os seus voos já estão na plataforma, a conta já está feita.


Este artigo tem caráter informativo. Os valores apresentados são de demonstração e não representam custos reais de nenhum modelo, fabricante ou operador. Decisões de operação e manutenção devem se apoiar na documentação técnica da aeronave e na responsabilidade técnica aplicável.

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