A cena se repete em toda oficina: a aeronave entra para a inspeção, a equipe abre o painel, e a peça que precisava estar na prateleira não está. Pede-se a peça. O hangar fica ocupado esperando frete, o cliente fica sem aeronave, e a oficina paga duas vezes — pela baia parada e pela urgência do fornecedor.
O curioso é que a informação para evitar isso já existia. Estava nas ordens de serviço que a própria oficina fechou nos últimos meses. Só não estava sendo lida.
O histórico da oficina sabe o que a próxima inspeção vai consumir
Toda OS fechada registra três coisas que, somadas, viram previsão: que peças foram aplicadas, em que modelo de aeronave e em que intervalo de inspeção. Uma oficina que fez a inspeção de 100 horas de um mesmo modelo dez vezes tem, sem saber, o kit dessa inspeção escrito no próprio banco: as peças que sempre saem, as que saem às vezes, as quantidades típicas.
É desse histórico que sai a lista de compra dos próximos meses, com três componentes:
1. Consumo recorrente. A peça que a oficina aplica todo mês — filtro, óleo, junta, selante — projetada pelo horizonte escolhido. Só entra como recorrente o que tem recorrência de fato no histórico: item que apareceu uma vez não vira compra mensal.
2. Componentes vencendo. O que vai precisar ser trocado nas aeronaves da carteira, com o vencimento em horas convertido em data pelo ritmo de voo de cada aeronave — o mesmo ritmo que alimenta a previsão de paradas, calculado das leituras de horímetro das OSs anteriores.
3. Kit da inspeção. Para cada parada prevista, as peças que as OSs anteriores do mesmo modelo, no mesmo intervalo consumiram. A oficina não recebe uma lista genérica do fabricante: recebe o que ela mesma costuma aplicar naquela inspeção, naquele avião.
E tudo isso descontado do que já está na prateleira. A previsão não manda comprar o que o estoque tem; casa cada peça prevista com o saldo pelo número de peça e mostra só a diferença.
Estimativa não é pedido
O que torna a previsão útil é o que ela se recusa a fazer.
Ela não emite pedido de compra — sugere, mês a mês, com a origem de cada linha: se veio do consumo recorrente, de um componente vencendo ou do kit de uma inspeção prevista. Ela não inventa consumo: peça sem recorrência não entra como recorrente. Ela não adivinha o kit: só sugere o que OSs anteriores consumiram de verdade — oficina que nunca fez a inspeção de 200 horas de um modelo não recebe kit para ela. E quando uma aeronave da carteira não tem leituras de horímetro suficientes, o painel diz que usou um padrão conservador, em vez de fingir precisão.
Previsão que esconde a própria incerteza vira estoque parado ou baia esperando frete. A que mostra de onde veio cada número vira decisão de compra.
O que muda na rotina de compras
A compra deixa de ser reação à OS aberta e vira rotina mensal: a lista do mês que vem sai antes de o mês começar, agrupada por fornecedor, com a inspeção que a justifica. Frete urgente vira exceção. Estoque mínimo passa a ser calculado do consumo real, não do palpite. E a peça de giro lento — a que foi comprada "para garantir" e nunca saiu — aparece pelo que é: capital parado na prateleira.
Para o cliente, o efeito é o que toda oficina promete e poucas entregam: aeronave que entra e sai na data combinada, porque a peça já estava lá.
Onde a Alis entra
Na Alis, a previsão de compras está no Estoque, na aba Inteligência: os "Próximos meses" listam a estimativa mês a mês — consumo recorrente, componentes vencendo e kit de inspeção — descontada do saldo em estoque, com a origem de cada linha à vista. Ela é alimentada pelas ordens de serviço com rastreabilidade que a oficina já registra: quanto mais completo o histórico de peças aplicadas por OS, mais precisa a lista.
E ela conversa com a previsão de paradas: a parada sugerida na carteira traz os itens que vencem; a inteligência do estoque traz as peças que essa parada vai consumir. A oficina liga para o cliente com a janela, o serviço e a peça já resolvidos.
Quer ver a lista de compras da sua oficina para o mês que vem? Fale com a Alis — se as suas ordens de serviço já estão na plataforma, a estimativa já está calculada.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui o programa de manutenção aprovado, os manuais do fabricante nem a responsabilidade técnica da organização de manutenção. A previsão de consumo é apoio ao planejamento de compras — as peças, quantidades e intervalos que valem são os da documentação técnica aplicável.