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A tabela da IAC 3252: como converter minutos em décimos de hora — e por que dividir por 60 erra 1 em cada 6 voos

Todo mundo que fecha horas de voo já viveu esta discussão: o voo marcou 1:09 no relógio. Quantos décimos são?

A resposta intuitiva — 9 ÷ 60 = 0,15, arredonda para 1,2 — está errada. Pela tabela da ANAC, 1:09 são 1,1 h. E não é caso isolado: a conta "divide por 60 e arredonda" diverge da tabela oficial em 10 dos 60 minutos — os terminados em 3, 9, 15, 21, 27, 33, 39, 45, 51 e 57 — sempre para cima, sempre por 0,1 h. Em números redondos, um voo a cada seis fecha com o décimo do vizinho de cima.

Parece detalhe até multiplicar: 0,1 h a mais em 17% dos lançamentos infla caderneta, adianta vencimento de manutenção calculado por hora e cria a divergência clássica entre o seu controle e o do operador que confere pela tabela colada na parede.

A tabela oficial

A referência é a IAC 3252-121/135-0197, e a regra dela é cortar a faixa meio para baixo — cada décimo cobre seis minutos, mas deslocados em relação ao arredondamento matemático:

Minutos Décimos
0:01 – 0:03 0,0
0:04 – 0:09 0,1
0:10 – 0:15 0,2
0:16 – 0:21 0,3
0:22 – 0:27 0,4
0:28 – 0:33 0,5
0:34 – 0:39 0,6
0:40 – 0:45 0,7
0:46 – 0:51 0,8
0:52 – 0:57 0,9
0:58 – 0:60 1,0

Dois pontos que escapam com frequência:

O minuto 58 e o 59 fazem carry. Um voo de 1:58 não é "1,9 e pouco" — é 2,0 h. A faixa final arredonda para a hora seguinte, e controles que não tratam isso quebram exatamente no fim do mês, quando os blocos longos aparecem.

Os minutos "redondos" enganam. 0:15 parece 0,25 → 0,3? Não: 0:15 são 0,2 pela tabela. É o tipo de conversão que ninguém erra com a tabela na frente — e quase todo mundo erra de cabeça.

Onde a divergência custa caro

Na caderneta, o acúmulo sistemático para cima infla a experiência declarada — e a divergência entre a sua soma e a do operador vira discussão recorrente.

Na manutenção, componente controlado por hora vence pelo número lançado. Décimos errados adiantam (ou atrasam) vencimento — e o CTM que não fecha com o diário é fonte clássica de achado em auditoria.

Na cobrança, escola e operador que faturam por hora de voo têm, na prática, uma tarifa 0,1 h maior em um sexto dos voos — a favor de um lado e contra o outro, sempre.

Como a Alis trata isso

A plataforma resolve a questão na raiz, com duas decisões de arquitetura:

  • O minuto inteiro é a fonte. Um bloco de 1:09 é guardado como 69 minutos, exatos. O relógio que aparece na tela vem daí — nunca de uma reconversão do decimal, que devolveria minutos que ninguém voou.
  • A conversão para décimos segue a tabela da IAC 3252 — implementada faixa a faixa e testada minuto a minuto contra a norma, incluindo as 10 divergências e o carry do 58/59. O 1:09 vira 1,1 h no banco, no diário, na caderneta e no controle de manutenção — o mesmo número em todo lugar.

Por isso as telas mostram os dois formatos lado a lado — 1:09 e 1,1 h — sem contradição: um é o relógio, o outro é a norma. É o que o operador tem colado na parede, agora dentro do sistema.


Este artigo tem caráter informativo. A referência normativa da conversão é a IAC 3252-121/135-0197; confirme a versão vigente e as regras aplicáveis à sua operação nas publicações da ANAC.

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